Este livro parte de uma questão simples, mas frequentemente negligenciada: nem todas as atividades econômicas contribuem da mesma forma para a geração de valor e para a dinâmica de crescimento. Ao recuperar a distinção clássico-marxiana entre atividades produtivas e improdutivas, a obra propõe uma leitura estrutural das transformações recentes da economia brasileira. O argumento desenvolvido ao longo dos capítulos é que a expansão das atividades ligadas à circulação, à intermediação e à administração do capital não constitui apenas uma mudança de composição setorial, mas expressa uma reconfiguração mais profunda do próprio processo de acumulação. À medida que essas atividades ganham peso relativo, uma parcela crescente do excedente social é direcionada para esferas que não ampliam diretamente a capacidade produtiva, tensionando os fundamentos do crescimento de longo prazo. Com base em evidências empíricas construídas a partir de matrizes insumo-produto e da tradição de contabilidade social inspirada em Shaikh e Tonak, o livro examina como a economia brasileira passou a incorporar, de forma crescente, conteúdos improdutivos em sua estrutura produtiva. Mais do que descrever essa trajetória, a análise busca identificar seus mecanismos, suas interdependências e seus limites. Ao articular teoria e evidência, a obra sugere que a estagnação recente da economia brasileira não pode ser plenamente compreendida apenas por fenômenos como desindustrialização ou financeirização. Trata-se, antes, de uma transformação mais ampla, na qual a expansão das atividades não-produtivas redefine as condições de geração de valor e impõe novos constrangimentos à acumulação. Este livro convida o leitor a reconsiderar, sob uma perspectiva estrutural, os fundamentos do crescimento econômico no Brasil contemporâneo. Marca: Não Informado