Gustavo Nishida chama seus escritos de minicontos. Eu dispensaria esse prefixo qualificador, não por entendê-lo como um falseamento de humildade, coisa que, certamente, passa ao longe das necessidades desse multiartista (músico, fotógrafo, escritor), mas por entender simplesmente que a brevidade dos contos em Ratos no Jardim tem a ver com a percepção sensível da interrupção. São contos, simplesmente. Escritos que vão conversar com a tradição da qual Rubem Fonseca foi mestre. E se lembro do saudoso autor de Feliz ano novo, é porque tem algo na escrita deste livro do Gustavo que faz lembrar as tomadas de cenas do escritor que revigorou nossa narrativa lá nos idos dos anos de 1970. Refiro-me ao modo como Rubão (um amigo gostava de chamá-lo assim) arejou a narrativa curta e também a longa impregnando-a de coisas do cinema e dos escritos policiais. Cristiano de Sales Ratos no Jardim é um livro de traços. Traços que formam fonemas, formam palavras. Mas palavra? Ou, sequências sonoras, sequências da fala? Ora, diálogos! Sequências narrativas Ah, contos! Mas são traços! Então, curtos: minicontos! Também sequências imagéticas: imagens cotidianas narradas e desenhos traçados. Denise Miotto Mazocco