Por que os fados levam um homem a carregar um sobrenome, que na língua de Camões, seria “Recordações”? Alguma coisa há por trás desse destino. O que seria? A entrega pelos semideuses da escrita, a esse homem, de uma missão ao mesmo tempo dura e prazerosa que é a de contar causos. Foi o que ocorreu com Paulo de Tarso Riccordi, contista afiado, que tece com vagar, minúcia e agudeza seus causos. Os contos de Riccordi concentram-se no esmiuçar das vidas dos seus personagens — quase sempre pequenos, marginais — colhidos e esmagados por este triturador chamado realidade. Outro fator preponderante na sua artesania é a reprodução certeira da linguagem coloquial, algo raro na palavrosa literatura brasileira. Lourenço Cazaré Marca: Não Informado