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Livro - Cartas de Amor - Monteiro Lobato

(Cód. Item 348771)

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Organizadas por Cordélia Fontainha Seta, correspondente de Monteiro Lobato desde o ginásio na capital mineira de Belo Horizonte, Cartas de amor saiu em formato de livro apenas em 1969. Mantidas com cuidado pela esposa Maria da Pureza Natividade, a Purezinha, elas constituem um conjunto curioso, que expõe o lado romãntico do escritor, mostrando uma faceta inesperada do seu caráter ferino e combativo. Ao longo destas páginas, entramos em contato com um homem que não tem medo de expressar a afeição pela mulher com quem compartilharia quarenta anos de vida em comum.



O sentimentalismo próprio dos enamorados permeia as linhas derramadas pelo jovem noivo, que se ressente da solidão e da distância: “ A saudade, anjo de minh’ alma, habita em mim como um inquilino crônico e a todos os meus atos ensombrece, c’o seu vago palor arroxeado”, queixa-se ele, em novembro de 1906. Se o ardor da paixão dá o tom do volume, as minuciosas descrições acabam fornecendo, de quebra, um olhar intimista sobre o dia a dia de uma típica cidade do interior. Remetidas, na grande maioria, dos municípios paulistas de Taubaté e Areias, onde monteiro Lobato atuava como promotor público na única ocasião em que exerceu a profissão aprendida na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, estas cartas estendem-se de 1906 a 1908.



Representando apenas um lado do intenso diálogo epistolar que manteve com a futura esposa, ajudavam a preencher as horas vazias do cotidiano pacato demais para seu espírito dinâmico e inquieto. Naquelas cidades interioranas havi “escassez de fatos sensacionais” e uma mera briga de rua convertia-se em assunto discutido e comentado por uma semana “desde a padaria do Adelino até a mesa de jantar do High”, dizia ele, que assinava “Juca”, usando o apelido carinhoso adotado em família. Para completar o livro, no final encontramos uma pequena parte dos apontamentos íntimos recolhidos nos cadernos de Purezinha, além da série de dez poemas oferecidos àquelas que Lobato chamava de “ Edelweiss”, em alusão à delicada flor das montanhas européias.