Este novo livro de Sebastião Ribeiro nasce num território de suspensão. Não se trata apenas de um estado emocional, mas de uma experiência de deslocamento: o sujeito poético parece sempre entre lugares, decisões e versões de si. A linguagem acompanha essa oscilação, avançando por desvios e súbitas iluminações. A escrita prefere a fratura ao acabamento. As composições desdobram-se por imagens cortantes, os versos reconhecem o ruído do presente guerras, automatismos, consumo, solidão , mas também escutam seus restos de ternura. Um quarto, um toque, uma memória mínima, ainda conseguem interromper o colapso. Limbo é um livro para quem aceita a poesia como experiência de instabilidade. Não promete saída, mas oferece travessia. Seus poemas não pedem adesão, demandam presença. E talvez seja isso que o torna tão instigante e necessário: escrever e ler como quem permanece de pé dentro da vertigem. Marca: Não Informado