Ao percorrer estas páginas, o leitor é convidado a sentir a densidade do ar em Esmeraldas e a frieza das estatísticas que ocultam rostos trans. A narrativa acadêmica, aqui, despoja-se de sua neutralidade para abraçar a dor e a esperança. Pois, se a morte habita no Estado e em suas omissões, a vida insiste em habitar nas frestas, nos rituais de Alabaos e na coragem de quem caminha contra a corrente da invisibilidade. Este volume, portanto, é um espelho das contradições equatorianas que, por sua vez, refletem o drama comum de todo o continente. A gestão da morte não é um erro do sistema, mas sua ferramenta de ajuste. Quando Rueda fala em retrocesso biopolítico, ele está descrevendo o cotidiano de milhões que acordam sem saber se o Estado será seu provedor ou seu carrasco. A necropolítica é a sombra que acompanha o sol tropical, uma penumbra que estes artigos buscam iluminar com rigor e sensibilidade.