Guanaíra é médica psiquiatra, atendeu a soldados da guerra do Vietnã, na Austrália, e a torturados no Brasil. Quando a conheci, ela era cunhada de Jarbas Pereira Marques, um dos mortos sob tortura, no massacre da Granja São Bento. Mas como dizê-lo? Guanaíra passa pelo trauma com a destreza de quem assiste a um filme de terror. Que viveu, e por isso trabalhou como psiquiatra contra a violência infame e covarde, sempre. Se tais marcas da sua vida nós não soubéssemos, talvez não entendêssemos sob que mistério se faz uma poesia tão boa de direitos humanos. A poesia de Guanaíra Amaral é militante sem qualquer obediência à última moda. É poesia militante porque é histórica, memória da ditadura, dos traumas que passaram por nós e não saem. Se não, sintam, olhem e reflitam. De lá da Austrália me chegou. Com 14 horas de diferença do fuso horário, a poesia que é um apelo humano em versos. Chegou, Guanaíra. Chegou ontem, chega hoje, agora, amanhã e depois. Urariano Mota, jornalista do Recife, autor dos romances Soledad no Recife, O filho renegado de Deus e A mais longa duração da juventude. Marca: Não Informado