Um convite à imaginação de docências mobilizadas pelo encontro entre arte e educação é o que compartilhamos como organizadores do livro que você tem em mãos. Enquanto pesquisadores, implicados com a formação docente, temos defendido que os professores a partir da constituição e experimentação de repertórios – emergentes das diferentes linguagens da arte em diálogo com a educação – exerçam a autoria de suas docências com as crianças. De fato, o nosso entendimento da autoria do(a) professor(a) não se refere a um suposto (e sempre problemático) ineditismo das práticas docentes, sustentado na crítica a tradição e ao imperativo de implementação de novas tendências educacionais – geralmente advindas de países europeus. Consideramos que a autoria docente é exercida a partir do exercício do pensamento do professor. Isso quer dizer que, entendemos o(a) professor(a) como um(a) intelectual, capaz de constituir a sua poética docente – mediante a pesquisa, a leitura e a produção de sentidos sobre o seu ofício profissional em interlocução com as crianças na escola.Argumentamos que a docência é mobilizada pela observação e escuta das crianças que o(a) professor(a) realiza para planejar o seu trabalho. O que enunciam as crianças por meio de suas narrativas verbais e não verbais se torna matéria prima para o desenvolvimento do trabalho docente. Imbuídos do propósito de constituir repertórios teóricos que mobilizem bricolagens entre arte e educação na prática docente com crianças, convidamos para escrita desse livro, pesquisadores(as) envolvidos(as) com a formação docente e a qualificação do trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. Trata-se de um conjunto de autores(as), comprometidos(as) eticamente com o debate sobre a educação das crianças em suas múltiplas linguagens.