Em A boca é um cisne em chamas, Fábio Júlio torna-se herdeiro direto dessa tradição, legando-nos uma obra rara, escritura a assumir muitas vezes um ar hermético, como se os poemas fossem hinos hipnóticos, narcóticos capazes de atordoar o leitor que, numa espiral metafórica alucinante, despenca num permanente assombro e encantamento. O leitor se transforma em verdadeiro Ícaro a despencar, frágil, num abismo de surpresas, surpresas essas que despertam nele aquele sentido mais puro das palavras da tribo, conforme ponderava o maior representante dessa tradição, Stephane Mallarmé. Marca: Não Informado